domingo, 2 de maio de 2010

O COLECIONADOR





"Freud a écrit que l ́argent, faute d ́appartenir au monde des désirs de l ́enface, ne procure en soi aucun plaisir. Les collections (projets exigeants dans lesquels le collectionneur investi du temps, de l ́energie et de l ́argent) sont tout autre chose : il s ́agit ici d ́une pulsion qui trouve bien ses racines dans l ́enfance. Nous avons tous eu notre collection d ́enfant : pierres, coquillages, cartes postales ou timbres. Mais pour certains cette pulsion, loin de s ́épuiser à la fin de l ́enfance, explose à l ́âge adulte. Pedro Corrêa do Lago est de ceux-là. Le mot plaisir, que revient si souvent dans son texte d ́introduction à cet ouvrage, est bien révélateur à cet égard. La recherche du plaisir pousse à l ́exclusivité de la possession. Mais ce penchant peut en éveiller um autre, en un sens opposé : le plaisir de partager avec d ́autres les merveilles de sa propre collection." (in, Cinq Siècle sur Papier. Autographes et Manuscrits de la Collection Pedro Corrêa do Lago. Paris : Éditons de La Martinière, 2004, p. 7)


"Freud escreveu que o dinheiro, por não pertencer ao mundo da infância, não traz em si nenhum prazer. As coleções (projetos exigentes nos quais o colecionador investe tempo, energia e dinheiro) são uma outra coisa: Aqui se trata de uma impulsão que encontra suas raízes na infância. Todos nós tivemos uma coleção na infância: pedras, conchas, cartões postais ou selos. Mas para alguns esta impulsão, longe de terminar com o fim da infância, explode na vida adulta. Pedro Corrêa do Lago é um destes. A palavra prazer, que aparece continuamente no texto de introdução desta obra, é bem reveladora desta consideração. A procura do prazer tem como impulso exclusivo a possessão. Mas estando propenso a despertar um outro, em senso oposto: o prazer de dividir com os outros as maravilhas de sua própria coleção."


(Trecho do prefácio do livro "Cinq Siècle sur Papier" de Pedro Corrêa do Lago[1], por Carlo Ginzburg, que é professor nas Universidades de Pisa e da Califórnia (U.C.L.A.) e autor de várias obras traduzidas em treze línguas. É especialista em "micro-história", e um dos maiores historiadores contemporâneos.



[1] Pedro Corrêa do Lago nasceu no Rio de Janeiro em 1958, vem de uma família de diplomatas, fez estudos de economia, é bibliófilo e colecionador. Aficionado, reuniu a partir de 1970, uma das maiores coleções mundiais de autógrafos e de manuscritos. Foi presidente da Biblioteca Nacional (2003-2005).