domingo, 26 de fevereiro de 2017

A VITÓRIA DE SAMOTRÁCIA DURANTE A 2ª GUERRA MUNDIAL



Figura 1 – Detalhe da prova do anverso da cédula de 50 dracmas de 1944 (P.169x; 115 X 69 mm) da Grécia retratando a Vitória de Samotrácia (220-185 a.C.)


                        Durante a 2ª Guerra Mundial o Castelo de Valençay se tornou um depósito secreto de obras do Museu do Louvre. Dentre elas podemos citar a estatuária antiga, notadamente a Vitória de Samotrácia e a Vênus de Milo. Elas escaparam por pouco da destruição em 16 de agosto de 1944, quando a 2ª Divisão SS Das Reich, atacou a cidade de Valençay em represaria a morte de dois soldados alemães causada por membros da resistência. O Duque de Talleyrand, prevalecendo do título alemão de Príncipe de Sagan, e, sobretudo, Gérald Van der Kemp, futuro Diretor de Versailles, negociaram com os alemães a fim de que eles poupassem o Castelo de Valençay e suas obras artísticas insubstituíveis. O episódio é relatado pelo próprio Gérald Van der Kemp, vejamos:

“Logo que cheguei à zona livre foi-me confiado o depósito de Valençay, ou seja, a responsabilidade dos tesouros armazenados nas caves do palácio, propriedade do Duque de Talleyrand, que ali habitava (...). Estava ali a Vitória de Samotrácia, a Vénus de Milo, os Escravos de Michelangelo, todo o Museu Camondo, os Museus Cognacq-Jay, Guimet, de Arte Moderna, de Fontainebleau; mais as coleções Rothschild, David-Weil e outras da mesma importância, levados para lá em caminhões aos cuidados dos museus nacionais. De 1940 a 1944 vivi em Valençay. Assisti às conversações entre o Duque de Talleyrand e o Conde von Metternich, que tinha sido nomeado diretor alemão para a proteção das obras de arte (...) O duque também era Príncipe de Sagan, título alemão. Tinha pensado em vender as suas terras com o título ao Marechal Göring. Este estava muito tentado a tornar-se Príncipe de Sagan, "devolvendo assim à Alemanha" um título caído nas mãos dos estrangeiros (...). O duque faleceu no seu leito tranquilamente. Em França, não se toca jamais nos duques" (in, Vilallonga, José Luis de. Gold Ghota. Paris: Le livre de Poche, 1972, p.309).

E continua :

 “Os alemães decidiram fuzilar no local o Sr. Diretor e eu o encontrei encostado ao muro, em frente a um pelotão pronto para atirar. Durante este tempo, alguém já havia posto fogo ao palácio. Eu era o único que sabia onde se encontravam os dutos de água (...) Falei-lhes em algumas palavras das coleções (...). Tempo perdido. Então, exasperado, comecei a gritar: “Se Valençay arder, vocês serão fuzilados em vinte e quatro horas, assim que alguém for anunciar ao Marechal Göring o desaparecimento nas chamas de todos os tesouros de arte francesa: o oficial e o intérprete empalideceram. Fui imediatamente libertado. Com os habitantes de Valençay reunidos em grande número, consegui controlar o incêndio. Os soldados já haviam posto granadas sob os móveis do salão onde eu tinha mandado guardar o Museu Guimet. O resgate durou quarenta e oito horas. Em janeiro de 1945 deixei Valençay depois de despedidas muito frias feitas ao Duque – e instalei-me no Castelo de Montal onde se encontravam armazenadas todas as caixas do Louvre” (op.cit. p.311 e 312)

Em Valençay, neste episódio, quarenta imóveis foram incendiados e oito pessoas foram assassinadas.



Figura 2 – Cartão Postal colorizado do Castelo de Valençay s/d (cerca de 1910-20), circulado nos anos 30.


Bibliografia:

- Wikipédia – verbete em português “Castelo de Valençay” e verbete em francês Château de Valençay. 26-02-2017.

Standard Catalog of World Paper Money, 1368-1960. Albert Pick - Edited by George S. Cuhaj. Iola/USA: Krause Publications, 12 th edition, 2008.


Obs.: Não tivemos acesso ao livro Gold Ghota de Vilallonga, por este motivo fizemos adaptações e correções no texto da Wikipédia em português (verbete: Castelo de Valençay), onde encontramos a transcrição do texto de Vilallonga. O artigo em francês da Wikipédia menciona o acontecimento, mas não transcreve o texto, o que não nos permitiu uma nova tradução.


Veja o outro texto sobre a Vitória de Samotrácia.


Veja um vídeo sobre os Castelos de la Loire  (em francês).




Autor: Marcio R. Sandoval (sterlingnumismatic@hotmail.com)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

CÉDULAS IMPRESSAS PELA CASA DA MOEDA DO BRASIL PARA O HAITI EM 2013

 

Fig.1 – Cédula de 20 gourdes[1] (P.271A (X3[2]) do Haiti, impressa pela Casa da Moeda do Brasil em 2012/13 e emitida posteriormente pelo Banco da República do Haiti[3]. No anverso temos a efígie de Toussaint Louverture, herói nacional e um dos precursores da independência. No reverso temos a Constituição de 1801 (Constituição de São Domingos) proclamada por Toussaint Louverture em 3 de julho de 1801, enquanto Governador de São Domingos e que é considerada a primeira Constituição da Republica do Haiti.

                        Em 2012/13 a Casa da Moeda do Brasil (CMB) imprimiu, a título de doação, cédulas de 20 gourdes para o Haiti, por causa do terremoto que atingiu aquele país em 2010. Foram impressas 47.408.000 (quarenta e sete milhões quatrocentos e oito mil) cédulas em 5 séries (séries A, B, C, D e E).
                        A Casa da Moeda do Brasil empregou as seguintes séries contendo letras e numerações nas cédulas de 20 gourdes impressas para o Haiti[4]. Vejamos:

A 000.000.001 - A 010.000.000
       10.000.000
B 000.000.001 - B 010.000.000
       10.000.000
C 000.000.001 - C 010.000.000
       10.000.000
D 000.000.001 - D 010.000.000
       10.000.000
E 000.000.001 - E 007.408.000
         7.408.000

T = 47.408.000

Fonte: Departamento de Cédulas – DECED da Casa da Moeda do Brasil (CMB).

                        A cédula de 20 gourdes do Haiti é comemorativa do Bicentenário da Constituição de 1801 (Constituição de São Domingos), proclamada por Toussaint Louverture em 3 de julho de 1801, enquanto Governador de São Domingos e que é considerada a primeira Constituição da República do Haiti. Consta no campo inferior direito das cédulas a data de 2001, esta referente ao bicentenário (1801-2001) e não a data de emissão da cédula.
                        A efígie que aparece no anverso é do herói nacional Toussaint Louverture (c.1743-1803). Ele foi chefe da Revolução Haitiana (1791-1802) e se tornou uma das grandes figuras do movimento anticolonialista, abolicionista e de emancipação dos negros nas Antilhas. Foi capturado pelos franceses em 1802 e um ano após veio a falecer no cárcere, entre outros, por causa do rigoroso clima de Doubs na França. A independência do Haiti foi proclamada logo em seguida, em 1° de janeiro de 1804 pelo seu antigo tenente Jean-Jacques Dessalines.
                        Em agosto de 2009[5] o valor aproximado de 20 gourdes (ou 20 HTG) em relação ao dólar era de US$ 0,50. Em fevereiro de 2017, 20 gourdes valem cerca de US$ 0,29. Portanto, são cédulas de pequeno valor. Considerando a situação do país, que sofreu um terremoto em 2010 e um tufão em 2016 e ainda o seu fraco desenvolvimento econômico[6], estas cédulas devem estar cumprindo seu papel.
                        Não obstante o seu fraco poder liberatório, a cédula de 20 gourdes possui um bom número de elementos de segurança, entre eles podemos citar: imagem latente, marca d água, faixa holográfica, fibras luminescentes, impressão em alto-relevo...
                        As primeiras cédulas desta estampa foram impressas pela Giesecke & Devrient (G&D)[7] de Munique, tradicional impressor de cédulas e outros documentos de segurança.
                        Vejamos todas as variantes que conhecemos desta cédula[8].





  1. P.271 – 20 gourdes: Esta cédula apresenta no anverso à direita sobre a marca d água a seguinte inscrição: “Cédula Comemorativa do Bicentenário da Constituição de T. Louverture.”. Foram impressas por Giesecke & Devrient (G&D) de Munique, Alemanha. Apresenta numeração dupla na cor vermelha composta de duas letras, TL (iniciais de Toussaint Louverture) seguida de 6 dígitos. A impressão foi limitada a TL 000 0001 a 500.000. Possível data de emissão – 2009 (sem confirmação oficial). Dimensões: 162 X 70 mm.

  1. P.271A – 20 gourdes. Aqui vamos agrupar 3 variantes não catalogadas. Como características comuns podemos citar a ausência da inscrição no anverso sobre a marca d água (acima da data).
  



P.271A (X1) – Numeração dupla, uma letra seguida de 6 dígitos. Não apresenta a inscrição sobre a marca d água no anverso. O exemplar acima nos sugere (não temos a confirmação) que se trata de um specimen da Giesecke & Devrient (G&D), eis que a numeração à esquerda no anverso (Specimen n° 0477) é característica desta casa impressora. Encontramos diversas letras, como: A, E, J, W, S..., sempre seguidas de 6 dígitos (que sugere no máximo 999.999 cédulas por série) . Possível data de emissão – 2009 (sem confirmação oficial).





P.271A (X2) – Numeração dupla, duas letras seguida de 6 dígitos. Não apresenta a inscrição sobre a marca d água no anverso. Apresentam as letras AS seguidas de 6 dígitos. Impressão: É provável que neste caso também a impressão tenha sido realizada pela Giesecke & Devrient (G&D), mas não conseguimos confirmar até o momento. Possível data de emissão – 2013 (sem confirmação oficial).




P.271A (X3) – Numeração única, uma letra seguida de 9 dígitos. Não apresenta a inscrição sobre a marca d água no anverso. Estas cédulas foram impressas pela Casa da Moeda do Brasil (CMB) a título de doação por causa do terremoto de 2010. Foram impressas em 2012/2013, com as características gerais das primeiras emissões. Apresentam as seguintes letras: A, B, C, D e E, seguida de 9 dígitos, quer dizer, cada série apresenta 10.000.000 (dez milhões de cédulas), sendo que a ultima série contem 7.408.000 (sete milhões quatrocentas e oito mil) cédulas. Dimensões: 163 X 70 mm. Possível data de emissão – 2015 (sem confirmação oficial).

Bibliografia:

AMANDRY, Michael. Dictionnaire de Numismatique. Paris : Larousse, 2006.





World Paper Money – Modern Issues – 20 th, 2014.

  


Autor: Marcio R. Sandoval



[1] A palavra gourde é uma tradução do espanhol gordo, um termo referente ao peso (o peso gordo, ou seja, a peça de oito reales - 1732 a 1771, dita piastra “colunária”). Esta moeda foi utilizada em muitos países e nas Antilhas no final do Século XVIII e início do Século XIX. O termo gourde passou a designar a unidade monetária do Haiti em 1828. Em 1825 foram cunhados pelo Círculo de Comércio de Pointe-à-Pitre de Guadalupe, jetons também em gourdes, com provável influencia do Haiti.
[2] O World Paper Money – Modern Issues – 20th, 2014, p. 465, indica a existência de apenas duas variantes desta cédula, quando na verdade existem pelo menos quatro.
[3] Foram, provavelmente, emitidas pelo Haiti a partir de 2015 (não temos confirmação oficial).
[4] Trata-se de uma numeração única (uma letra seguida de nove dígitos) na parte superior esquerda da cédula. São 10.000.000 (dez milhões de cédulas) por série, sendo que, a última série contem 7.408.000 (sete milhões quatrocentos e oito) cédulas.
[5] Data provável das primeiras emissões desta cédula, no entanto, não temos a confirmação oficial.
[6] É uma das nações mais pobres das Américas.
[7] Empresa alemã de produção de cédulas bancárias e outros documentos de segurança fundada em Leipzig, em 1852, por Hermann Giesecke (1831-1900) e Alphose Devrient (1821-1878). A denominação inicial era Instituto Tipográfico Giesecke & Devrient. Em 1890 forneceu bilhetes para vários bancos brasileiros por intermédio da firma Laemmert do Rio de Janeiro. Em Leipzig, durante a 2ª Guerra Mundial, a maior parte de suas instalações foi destruída. Em 1948 a empresa foi transferida para Munique. É fornecedor eventual de cédulas para o Brasil, quando a CMB não pode atender a demanda, como no caso da cédula de 5 reais (P.244b; C267) de 1994.
[8] Aqui relacionamos as cédulas que encontramos, diante do fato que não encontramos nenhuma outra catalogação a par o World Paper Money, que se restringe a duas variantes.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A PADRONIZAÇÃO DO MIL-RÉIS (1918-1942)

A padronização do Mil-Réis
 (1918-1942)
 


Figura 1 – Gravura do Barão do Rio Branco (1845-1912), gravado por Robert Savage (1868-1943) da American Bank  Note Company (ABNCo.) s/d. Esta gravura foi utilizada pela primeira vez na cédula de 5$000 réis de 1913 (P.24; R095).

Introdução
  
                        Até 1942 o Brasil utilizou como padrão monetário o Real, consubstanciado no seu múltiplo, o Mil-Réis. Quando da mudança da unidade monetária em 1942, as argumentações utilizadas para a substituição do Mil-Réis pelo Cruzeiro foram entre outras: que o antigo sistema não atendia o principio da singularidade, eis que a unidade monetária se compunha de mil unidades, sendo incompatível com o sistema decimal, já adotado pelo Brasil em 1862; que não havia uniformização dos tipos de cédulas, eis que existiam 62 tipos em circulação em 10 valores e que ainda não havia padronização de tamanho, ocorrendo que mesmo cédulas do mesmo valor apresentavam dimensões distintas.
                        Assim, o sistema foi considerado vetusto necessitando ser substituído. Observando aqueles 62 tipos, a primeira vista, dificilmente se tem uma noção de conjunto, ainda mais se observarmos pela forma (classificação por valores) estabelecida pelos catálogos ([1]).
                        Devemos ainda considerar que naquela época as cédulas haviam sido emitidas por órgãos distintos, tanto pelo próprio Tesouro como pelo Banco do Brasil e pela Caixa de Estabilização.
                        A uniformização dos tipos de cédulas viria com o novo padrão, ou seja, com o Cruzeiro, que emitiu cédulas próprias a partir de 1943.
                        Afinal, as cédulas do mil-réis teriam sido emitidas sem um ordenamento lógico como afirmavam os defensores da reforma? Ou isto foi apenas uma pretexto a mais para implementar a mudança do padrão?
                        Analisando a questão verificamos que a partir de 1918 até 1942 ([2]), as cédulas seguiam uma padronização bem definida, conforme as empresas que realizavam a impressão. O sistema deixava a desejar apenas pela falta de praticidade em virtude de não ser decimal e ainda pelo fato do Governo não desmonetizar as estampas antigas, fato este que persistiria mesmo com o advento do Cruzeiro, como veremos.

A Uniformização dos tipos de cédulas

                        Em 1941 segundo procedimentos administrativos da Caixa de Amortização verificou-se a necessidade, apesar do período de Guerra, de se alterar o padrão monetário do Mil-Réis para o Cruzeiro. Vejamos o que nos informa F. dos Santos Trigueiros:

“...em janeiro de 1941, o então Diretor da Caixa de Amortização, Gladstone Rodrigues Flores, informando um processo de sua repartição, encaminhou-o à Junta Administrativa, sugerindo a adoção do Cruzeiro. Estava a Junta promovendo uma concorrência para encomenda de novas estampas de papel-moeda, com o fim de uniformizar os tipos de cédulas e pareceu-lhe oportuna a modificação do padrão vigente, pois a disparidade de tamanho existia até entre cédulas do mesmo valor. Quando a nova unidade surgiu, tínhamos em circulação cinqüenta e seis tipos de notas ([3]), sendo 35 do Tesouro, 14 do Banco do Brasil e 7 da extinta Caixa de Amortização.” (in, Dinheiro no Brasil. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial Ltda., 2ª Edição, 1987, p.192). (grifo nosso).

                        Como se sabe, desde o Império, as cédulas brasileiras vinham sendo produzidas no exterior, situação esta que se manteria praticamente inalterada até 1970. Apenas na década de 80 passamos também a produzir o papel de impressão que antes era importado.

                        Mudar o padrão e uniformizar os tipos de cédulas, que era um argumento oportuno, escondia na verdade uma falha governamental, qual seja, o não recolhimento das estampas antigas que continuavam em circulação, mesmo aquelas emitidas no inicio do século.

Uma análise das espécies circulantes em 1942 anteriores à reforma do padrão


                        Como vimos, em 1942 tínhamos 62 tipos de cédulas em circulação em 10 valores (1, 2, 5, 10, 20, 50, 100, 200, 500 mil réis e 1 conto de réis ([4]). Com exceção das cédulas impressas pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro (CMRJ), todas haviam sido impressas no exterior, por três empresas distintas, são elas: American Bank Note Company (ABNCo.) de Nova York, Cartiere P. Milani (CPM) de Milão ([5]) e Wartelow & Sons limited (W&S) de Londres.
                        Para ficarmos em um só exemplo, vejamos as cédulas de 1$000 réis circulantes em 1942:

Cédulas emitidas pelo Tesouro Nacional:

4. 1$000 (1921 - 1950) – 12ª estampa – CMBRJ (144 mm X 70 mm) R079; P.8
5. 1$000 (1923 - 1950) – 13ª estampa – CMBRJ (137 mm X 70 mm) R080; P.9

Cédulas emitidas pelo Banco do Brasil:

6. 1$000 (1923 - 1955) – 1ª estampa – ABNCo. (123 mm X 62 mm) R193; P.110B

                        Podemos constatar que havia 6 tipos de cédulas de 1$000 réis em circulação em 1942, impressas por duas empresas, a ABNCo. e a CMRJ. Todas com dimensões distintas e com motivos diferentes, a exceção das impressas pela CMRJ em que todas homenageavam David Campista. Da cédula de 10 mil-réis existiam 9 tipos...
                        Vejamos o que cada empresa produziu durante este período (1918-1942).

A família com o anverso em azul impressa pela American Bank Note Company (ABNCo.) de Nova York


                        A partir das cédulas de 10$000 (14ª estampa), 100$000 (14ª estampa) e 500$000 (12ªestampa), todas impressas pela ABNCo. e emitidas pelo Tesouro Nacional em 1918, temos a padronização das cédulas impressas por aquela empresa, que seguirá o mesmo feitio até a última estampa, qual seja, a da cédula de 500 mil-réis da15ª estampa (1931-1955). Este mesmo visual elaborado pela ABNCo. a partir de 1918 teve ainda continuidade nas novas cédulas do cruzeiro, emitidas a partir de 1943.


Figura 2Specimen da cédula de 10 mil-réis da 14ª estampa (1918-1950), R107s; P.36, (171 mm X 80 mm), impressa pela American Bank Note Company (ABNCo.) para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é Campos Salles (*). Esta foi uma das primeiras cédulas emitidas desta “família” que teve inicio em 1918 e que manteve as mesmas linhas gerais até a última concepção em 1931-42, da cédula de 500 mil-réis da 15ª estampa (1931-1955).
(*) Manoel Ferraz de Campos Salles, Presidente da República de 1898 a 1902

                        As características comuns do anverso destas cédulas são: estampa em azul sobre fundo policrômico e um medalhão central com a efígie de um homenageado. É interessante notar que as dimensões aumentavam conforme o valor da cédula, ajudando na identificação e dificultado o trabalho dos falsários.


São 15 estampas em 9 valores, vejamos:

3. 5$000 (1924 - 1950) – 19ª estampa – ABNCo. (162 mm X 74 mm) R100; P.29
4. 10$000 (1918 - 1950) – 14ª estampa – ABNCo. (171 mm X 80 mm) R107; P.36
6. 20$000 (1919 - 1950) – 14ª estampa – ABNCo. (180 mm X 83 mm) R117; P.46
10. 100$000 (1924 - 1953) – 16ª estampa –ABNCo. (186 mm X 85 mm) R141; P.70
11. 200$000 (1919 - 1950) – 14ª estampa –ABNCo. (189 mm X 89 mm) R150; P.79
12. 200$000 (1924 - 1955) – 16ª estampa –ABNCo. (189 mm X 87 mm) R152 P.81
14. 500$000 (1924 - 1950) – 14ª estampa –ABNCo. (193 mm X 89 mm) R162; P.91
15. 500$000 (1931 - 1955) – 15ª estampa –ABNCo. (193 mm X 89 mm) R163; P.92


                        No reverso destas cédulas já predomina os motivos nacionais exclusivos, com exceção da Alegoria do Comércio e de Minerva, presentes nas cédulas de 5$000réis (de 1924) e na de 20$000 réis (de 1919 e 1924), respectivamente. Nestes casos, estes motivos constam de outros produtos (cédulas, certificado de ações, etc.) impressos pela ABNCo. para outros países.




Figura 3Specimen da cédula de 5 mil-réis da 19ª estampa (1924-1950), R100s; P.29, (162 mm X 74 mm), impressa pela American Bank Note Compnay (ABNCo.) para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é o Barão do Rio Branco(*). Esta cédula guarda grandes similitudes com a de 5 mil-réis da 14ª estampa de 1913, quando se utilizou pela primeira vez a imagem do medalhão (figura 1).
(*) José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845-1912), Cônsul Geral do Brasil em Liverpool (1876 a 1893) e Ministro das Relações Exteriores (1902-1912), entre outros.

                        


Figura 4 – Na seqüência dos medalhões que ornam o anverso das cédulas temos da esquerda para a direita: Regente Feijó (1$000 réis de 1919), Marquês de Olinda (2$000réis de 1919), Barão do Rio Branco (5$000 réis de 1924), Campos Salles (10$000 de 1918 e 1924) e Deodoro da Fonseca (20$000 de 1919 e 1924).




Figura 5 – Na seqüência dos medalhões que ornam o anverso das cédulas temos da esquerda para a direita: Artur Bernardes (50$000 réis de 1924), Afonso Pena (100$000 réis de 1918 e 1924), Prudente de Morais (200$000 réis de 1919 e 1924), José Bonifácio (500$000 de 1918 e 1924) e Floriano Peixoto (500$000 de 1931).

                        Dos motivos nacionais temos: A Avenida Beira Mar no Rio de Janeiro (10$000 réis de1918 e 1924), A Vista do Flamengo, do Catete e do Largo do Machado, também no Rio de Janeiro (100$000 réis 1918 e 1924), o Palácio Monroe, antiga sede do Senado, no Rio de Janeiro (200$000 réis de 1919 e 1924) e finalmente o Brasão da República (500$000 réis 1918, 1924 e 1931).
                        As cédulas impressas pela ABNCo. representavam a maior parte da circulação. Destas 15 estampas foram impressas cerca de 279.900.000 cédulas ([7]) entre 1918 e 1942.



Figura 6 – Detalhe do reverso da cédula de 100$000 réis da 16ª estampa (1924-1953), R141; P.70, com Vista do Flamengo, do Catete e do Largo do Machado no Rio de Janeiro. A cédula de 100$000 réis da 14ª estampa de 1918 traz a mesma vista na cor sépia.


A família xilográfica impressa pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro (CMRJ)


                        Nos anos 20, a Casa da Moeda do Rio de Janeiro imprimiu várias estampas para o Tesouro Nacional pelo processo xilográfico. Pela quantidade de estampas e de cédulas produzidas, esta iniciativa talvez se tenha constituído na mais ousada tentativa de se produzir o papel-moeda no Brasil antes dos anos 70.
                        A xilografia é um processo de gravação feito a mão sobre madeira e que possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado. No caso do papel-moeda, a madeira gravada era submetida ao processo da galvanoplastia (recobrimento metálico) obtendo-se, assim, uma matriz do que se pretendia imprimir.
                        Este processo quase artesanal foi utilizado na época pela CMBRJ por não se ter o know-how na produção de papel-moeda por processos mais modernos como a calcografia ou talho doce (gravura em chapa de metal) utilizado pelos grandes impressores, como a American Bank Note Company, desde o Século XIX. Registra-se que se tratava de uma indústria altamente especializada e que até os anos 60 existiam no mundo apenas cerca de vinte fabricantes.
                        A produção da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, nos anos 20, pode ser considerada como experimental ([8]) e que se destinava, sobretudo, a complementar o meio circulante composto principalmente de cédulas impressas no exterior.


Figura 7 – Specimen da cédula de 2mil-réis da 15ª estampa (1923-1950), R088; P.17, (143 mm X 71 mm), impressa pelo método xilográfico pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro (CMRJ) para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é Joaquim Murtinho (*). Estas cédulas impressas pela CMRJ foram emitidas pelo Tesouro Nacional entre os anos de 1920 e 1924, num total de 17 estampas em 10 valores.
(*) Joaquim Duarte Murtinho (1848-1911) Ministro da Fazenda de Campos Salles.


Figura 8 – Na seqüência dos medalhões que ornam o anverso das cédulas temos da esquerda para a direita: David Campista (1$000 réis de 1920), novamente David Campista (1$000 réis de 1921), Joaquim Murtinho (2$000 réis de 1920) e novamente Joaquim Murtinho (2$000 réis de 1921), curiosamente mais jovem.


Figura 9 – Na seqüência dos medalhões que ornam o anverso das cédulas temos da esquerda para a direita: Rodrigues Alves (5$000 réis de 1922), Sabino Alves Barroso Jr. (10$000 réis de 1924) e Ruy Barbosa (100$000 réis de 1924).

                        Foram produzidas pelo método xilográfico pela CMRJ 17 estampas em 10 valores, totalizando 34.850.000 cédulas, ou seja, aproximadamente 10% da produção da ABNCo. para o Brasil, entre 1918 e 1942, vejamos:

4. 2$000 réis (1920-1950) – 13ª estampa – CMRJ (147 mm X 74 mm) R086; P.15
6. 2$000réis (1923-1950) – 15ª estampa – CMRJ (143 mm X 71 mm) R088; P.17
7. 5$000 réis (1920-1932) – 16ª estampa – CMRJ (157 mm X 75 mm) R097; P.26
8. 5$000 réis (1922-1932) – 17ª estampa – CMRJ (155mm X 76 mm) R098; P.27
9. 5$000réis (1923-1932) – 18ª estampa – CMRJ (153 mm X 73 mm) R099; P.28
11. 10$000 réis (1924-1949) – 16ª estampa – CMRJ (167 mm X 84 mm) R109; P.38
12. 20$000 réis (1923-1932) – 15ª estampa – CMRJ (167 mm X 82 mm) R118; P.47
13. 50$000 réis (1923-1949) – 15ª estampa – CMRJ (174 mm X 86 mm) R128; P.56
14. 100$000 réis (1924-1932) – 15ª estampa – CMRJ (180 mm X 90 mm) R140; P.69
15. 200$000 réis (1922-1932) – 15ª estampa – CMRJ (184 mm X 90 mm) R151; P.80
16. 500$000 réis (1924-1932) – 13ª estampa – CMRJ (183 mm X 90 mm) R161; P.90
17. 1.000$000 réis (1921-1950) – 1ª estampa – CMRJ (200 mm X 93 mm) R164; P.93

  


Figura 10 – Alegoria da Agricultura, detalhe que orna o anverso da cédula de 10$000 réis de1923 (15ª estampa) impressa pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro pelo método xilográfico. Esta cédula circulou por nove anos e foi desmonetizada em 1932.

                        Não encontramos ainda os motivos que levaram o Tesouro Nacional a desmonetizar quase a metade das estampas impressas pela CMRJ em 1932. Falsificação excessiva? Desgaste anormal? Boa parte delas sofreu falsificação, mas as da ABNCo. também foram falsificadas apesar de utilizarem métodos mais aperfeiçoados.


A família de 1936 impressa pela Waterlow & Sons deLondres (W&S)


                        Em 1936 a empresa inglesa Waterlow & Sons(W&S) ([9]) de Londres imprimiu para o Tesouro Nacional três valores, 50, 100 e 200 mil-réis. Uma característica marcante destes valores impressos pela W&S é o fato de apresentarem, além da numeração arábica tradicional, o valor da cédula em algarismos romanos, ou seja, 50 (L), 100 (C) e 200 (CC).


Figura 11Specimen da cédula de 50 mil-réis da 17ª estampa (1936-1952), R130s; P.59, (139 mm X 78 mm), impressa pela Waterlow & Sons Ltd. (W&S) para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é Joaquim Xavier da Silveira Junior (*). No reverso desta cédula temos o Monumento do Ipiranga em São Paulo.
(*) Prefeito do antigo Distrito Federal (1901-1902).

                         Foram impressas 18.100.000 cédulas dos três valores indicados e todas foram desmonetizadas em 1952, vejamos:

1. 50$000 (1936 - 1952) – 17ª estampa – W&S (139 mm X 78 mm) R130; P.59
2. 100$000 (1936 - 1952) – 17ª estampa – W&S (148 mm X 76 mm) R142; P.71
3. 200$000 (1936 - 1952) – 17ª estampa – W&S (156 mm X 79 mm) R153; P.82




Figura 12 – Os três homenageados nas cédulas impressas pela W&S, da esquerda para direita temos: Xavier da Silveira (50 mil-réis), Santos Dumont (100 mil-réis) e Saldanha Marinho (200 mil-réis).




Figura 13 – Reverso da cédula de 200 mil-réis com vista do Flamengo e Jardins da Glória no Rio de Janeiro.
  
                        A cédula de 50 mil-réis da 17ª estampa da W&S foi reaproveitada para as primeiras emissões do cruzeiro em 1942 recebendo uma dupla superimpressão em forma de rosácea, com os seguintes dizeres: CASA DA MOEDA – 50 CRUZEIROS. Foram aproveitadas um pouco mais de 700.000 cédulas, das séries 79/86 e algumas da série 42. Esta é uma das cédulas mais escassas da coleção brasileira.


A família do Banco do Brasil impressa pela American Bank Note Company (ABNCo.) de Nova York


                        Em 1923 foi o Banco do Brasil novamente autorizado a emitir ([10]), seria a última vez e por um breve período, apenas três anos. Foram emitidas cédulas impressas pela ABNCo. nos valores de 1, 2, 5, 10, 20, 50, 100, 200, 500 mil-réis e 1 conto de réis, cédulas estas da 1ª estampa, todas emitidas em 1923.
                        Em 1926 o Governo Federal assumiu as emissões do Banco do Brasil e criou o Caixa de Estabilização na tentativa de uma reforma monetária que não logrou êxito.
                        Em 1930, em virtude da Revolução, o Banco do Brasil foi autorizado a fazer uma emissão de emergência, surge daí as cédulas da 2ª estampa, também impressas pela ABNCo.; os valores emitidos foram: 5, 10, 20 e 50 mil-réis.
                        A ABNCo. imprimiu para o Banco do Brasil cerca de 108.750.000 cédulas, sendo 14 estampas em 10 valores.
                        Todas estas cédulas seguem um mesmo padrão, no entanto, o Banco do Brasil utilizou para as primeiras emissões, cédulas cedidas pelo Tesouro Nacional nos valores de 500$000 réis e 1 conto de réis, ambas da 1ª estampa impressas pela CMBRJ.




Figura 14 – Specimen da cédula de 1 conto do réis da 1ª estampa (1923-1955), R202s: P.123 (185 mm X 81 mm), impressa pela ABNCo. para o Banco do Brasil, cujo homenageado é D. Pedro I. No reverso temos um painel com quadro de Pedro Américo “Independência ou Morte” (O Grito do Ipiranga). Este mesmo tema foi retomado na cédula de 200 cruzeiros de 1943 (C037-43).
  


Figura 15 – Na seqüência dos medalhões que ornam o anverso das cédulas temos da esquerda para a direita: Campos Salles (1$000 réis de 1923), Prudente de Morais (2$000réis de 1923), Barão do Rio Branco (5$000 réis de 1923), Sampaio Vidal (10$000de 1923) e Artur Bernardes (20$000 de 1923).




  

Figura 16 e 17 – Na seqüência dos medalhões que ornam o anverso das cédulas temos da esquerda para a direita: Deodoro da Fonseca (50$000 réis de 1923), Regente Feijó (100$000 réis de 1923), D. Pedro II (200$000 réis de 1923), José Bonifácio (500$000 de 1923), D. Pedro I (1.000$000 réis de 1923), Rodrigues Alves (10$000 réis de 1930) e o Marquês de Olinda (50$000 réis de 1930).

Banco do Brasil (4°)

(CMBRJ)
1. 500$000 réis (1923-1924) – 1ª estampa – CMRJ (185 mm X 90 mm) R191; P.110
2. 1.000$000 réis (1923-1924?) – 1ª estampa – CMRJ (200 mm X 93 mm) R192; P110A
(ABNCo.)
3. 5$000 réis (1923-1955) – 1ª estampa – ABNCo.(130 mm X 70 mm) R195; P.112 
10. 1.000$000 réis (1923-1955) – 1ª estampaABNCo. (185 mm X 81 mm) R202; P.123
11. 5$000 réis (1930-1955) – 2ª estampa ABNCo. (130 mmX 70 mm) R203; P.113
12. 10$000 réis (1930-1955) – 2ª estampa ABNCo.(137 mm X 72 mm) R204; P.115
13. 20$000 réis (1930-1955) – 2ª estampa ABNCo. (146 mm X 75 mm) R205; P.117
14. 50$000 réis (1930-1955) – 2ª estampa ABNCo. (153 mm X 76 mm) R206; P.119


                        A emissão do Banco do Brasil foi toda desmonetizada em 1955 e se constituiu, segundo Trigueiros, na série mais bem acabada do mil-réis, tanto no que diz respeito às características de segurança (foi das cédulas do mil-réis as de menor índice de falsificação), quanto ao fato das cédulas evoluírem em tamanho em proporção ao valor, facilitando a identificação e dificultando a adulteração e falsificação. O nome do Brasil foi escrito corretamente, com “S”, enquanto as cédulas do Tesouro Nacional continuariam com “Z” até 1932. Nesta série foram homenageados 12 personalidades históricas (Fig.14, 15 e 16) e todos os reversos apresentam motivos nacionais.
  


Figura 18 – Reverso da cédula de 20 mil-réis (R197; P.116) com vista do Palácio da Liberdade em Belo Horizonte, no anverso desta cédula temos Artur Bernardes, nascido em 1875, na cidade de Viçosa em Minas Gerais.

A família da Caixa de Estabilização impressa pela American Bank Note Company (ABNCo.) de Nova York



Figura 19 – Specimen do bilhete de 1 conto do réis da 1ª estampa (1927-1951), R190s: P.109 (193 mm X 92 mm), impressa pela ABNCo. para a Caixa de Estabilização, no medalhão temos um rosto de mulher (alegoria) realizada pelo gravador Sukeichi Oyama, da ABNCo., com base na pintura de Paul Thumann's – "The Fates" (*).

                        A Caixa de Estabilização foi criada pelo Decreto n°5.108 de 18 de dezembro de 1926, que tinha como objetivo uma reforma monetária, que visava a criação do Cruzeiro e a conversibilidade de todo o papel-moeda em circulação, em ouro, na base de 2 gramas para 10$000 réis.
                        Inicialmente foram utilizadas cédulas aproveitadas do Tesouro Nacional, todas impressas pela ABNCo., quais sejam: 10$000 réis da 17ª estampa, 20$000 réis da 16ª estampa, 50$000 réis da16ª estampa, 100$000 réis da 16ª estampa, 200$000 réis da 16ª estampa e 500$000réis da 14ª estampa.
                        Os bilhetes apresentavam uma superimpressão onde se lê: “A CAIXA DE ESTABILIZAÇÃO pagará ao portador, à vista, no Rio de Janeiro, em ouro, conforme a Lei nº 5108, de 18 de dezembro de 1926, a quantia de (...) VALOR RECEBIDO EM OURO”.



Figura 20 – Detalhe do bilhete de 50$000 réis da 16ª estampa (1926-1951), R180; P.109C (180 mm X 83 mm), impressa pela ABNCo. inicialmente para o Tesouro Nacional (R129; P.58) e aproveitado pela Caixa de Estabilização através da superimpressão que vemos no detalhe acima.

                        Os bilhetes próprios da Caixa de Estabilização foram emitidos em 1927, impressos também pela ABNCo. e traziam, todos eles, no anverso o mesmo rosto de mulher do reverso da cédula de 100$000 réis (R106: P.65) de 1909. Esta efígie é obra do gravador Sukeichi Oyama, da ABNCo., com base na pintura de Paul Thumann's – "The Fates" (Fig.19).
                        A efígie enigmática de mulher apresenta pequenas variações segundo os valores. As chancelas também apresentam variações que ainda não encontram reflexo nos catálogos.



Figura 21 – Reverso do bilhete de 100$000 réis da Caixa de Estabilização (1927-1951) R187; P.106 (187 mm X 85 mm). O prédio representado que se situa na Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, serviu a Caixa de Estabilização de 1926 a 1930 e hoje abriga o Departamento do Meio Circulante (MECIR) do Banco Central.


Figura 22 – Reverso do bilhete de 500$000 réis da Caixa de Estabilização (1927-1951) R189; P.108 (192 mm X 91 mm). Representação do quadro de Victor Meirelles de 1872, intitulado “Combate Naval do Riachuelo” (420 cm X 820 cm), batalha da Guerra do Paraguai, que se encontra no Museu Histórico Nacional no Rio de janeiro.

Caixa de Estabilização

Aproveitadas do Tesouro Nacional
1. 10$000 (1926 - 1951) – 17ª estampa – ABNCo. (171 mm X 80 mm) R178; P.109A
2. 20$000 (1926 - 1951) – 16ª estampa – ABNCo. (180 mm X 83 mm) R179; P.109B
3. 50$000 (1926 - 1951) – 16ª estampa – ABNCo. (180 mm X 83 mm) R180; P.109C
4. 100$000 (1926 - 1951) – 16ª estampa – ABNCo. (186 mm X 85 mm) R181; P.109D
5. 200$000 (1926 - 1951) – 16ª estampa – ABNCo. (189 mm X 87 mm) R182; P.109E
6. 500$000 (1926 - 1951) – 14ª estampa – ABNCo. (193 mm X 89 mm) R183; P.109F

Próprias da Caixa de Estabilização
1. 10$000 (1927 - 1951) – 1ª estampa – ABNCo. (170 mm X 80 mm) R184; P.103
2. 20$000 (1927 - 1951) – 1ª estampa – ABNCo. (180 mm X 85 mm) R185; P.104
3. 50$000 (1927 - 1951) – 1ª estampa – ABNCo. (182 mm X 85 mm) R186; P.105
4. 100$000 (1927 - 1951) – 1ª estampa – ABNCo. (187 mm X 85 mm) R187; P.106
5. 200$000 (1927 - 1951) – 1ª estampa – ABNCo. (188 mm X 90 mm) R188; P.107
6. 500$000 (1927 - 1951) – 1ª estampa – ABNCo.(192 mm X 91 mm) R189; P.108
7. 1.000$000 (1927 - 1951) – 1ª estampa –ABNCo. (193 mm X 92 mm) R190; P.109

                        Com a crise mundial de 1929 foram necessários apenas alguns meses para que as reservas metálicas da Caixa de Estabilização se esgotassem e inviabilizassem o êxito da reforma. O Decreto n° 19.423 de 11 de novembro de 1930 encerrou suas atividades. Seus bilhetes continuaram em circulação e puderam ser trocados com ágio pelo Banco do Brasil até 1951 (Decreto n° 20.621 de 7 de novembro de 1931).
                        Foram impressas cerca de 66.200.000 cédulas próprias para a Caixa de Estabilização e cerca de 700.000 aproveitadas do Tesouro Nacional.


Conclusão


                        Em 1942 tínhamos em circulação 62 cédulas do mil-réis (estampas) em 10 valores. Das cédulas que seguem um padrão definido, ou seja, apresentam características comuns e que foram emitidas a partir de 1918, temos:

- As cédulas impressas pela ABNCo. para o Tesouro Nacional composta de 15 estampas em 9 valores (1918-1942).
- Os bilhetes impressos pela ABNCo. para a Caixa de Estabilização composta de 13 estampas em 7 valores (1926-1927).
- Os bilhetes impressos pela ABNCo. para o Banco do Brasil composta de 14 estampas em 10 valores (1923-1930).
- As cédulas impressas pela CMRJ para o Tesouro Nacional composta de 9 estampas em 5 valores (1920-1924).([11])
- As cédulas impressas pela W&S para o Tesouro Nacional composta de 3 estampas em 3 valores (1936)

                        Foram emitidas 62 estampas de maneira ordenada (acima temos 54 já que 8 cédulas da CMRJ foram desmonetizadas em 1932). Como vimos, tínhamos, também, 62 estampas em 1942, composta destas 54 que circulavam somadas as 8 estampas que não fazem parte destas famílias (6 estampas da ABNCo e 2 da CPM), compondo as 62 estampas em circulação (coincidência numérica).
                        Naquele mesmo ano de 1942 com o surgimento do Cruzeiro foram aproveitadas 8 cédulas do mil-réis através da utilização da dupla superimpressão, aumentando para 70 os tipos de cédulas em circulação.
                        Em 1943 e 1944 foram lançadas as novas cédulas do Cruzeiro (de aspecto e dimensões padronizadas), em 10 estampas e 10 valores, impressas pela ABNCo., aumentando para 80 tipos as cédulas em circulação. Em 1948 surge a cédula de 500 cruzeiros da 2ª estampa impressa pela Thomas de La Rue de Londres (TDLR), seguida em 1949 das cédulas de 50, 100, 200 e 1000 cruzeiros. Temos assim, 85 estampas em circulação em 1949.
                        Em 1950 três antigas cédulas do mil-réis saem de circulação e temos mais três novas cédulas do cruzeiro da 2ª estampa, permanecendo 85 estampas em circulação, pensamos ser este o maior número de cédulas em circulação.
                        Em 1955, data em que todas as cédulas do mil-réis foram desmonetizadas, ainda havia 18 estampas deste padrão em circulação.
                        Assim, o Governo substitui o padrão como era necessário, mas deixou as antigas estampas em circulação por mais de uma década e não é sem motivo que as cédulas do mil-réis são mal conservadas, eis que circularam a exaustão.                       
                        A disparidade de tamanho das cédulas, tanto mencionada nas justificativas para a substituição do sistema acabou por prevalecer em muitas ocasiões nos padrões posteriores ao mil-réis, apesar de não ser a solução mais adequada. Nas atuais cédulas do real podemos notar que elas evoluem em tamanho em proporção ao valor, como mencionava Trigueiros em relação às cédulas do Banco do Brasil. 
                        O antigo sistema seguiu um padrão bem definido, que pode ser observado na classificação das cédulas conforme o impressor, assim temos as cédulas do Tesouro Nacional (impressas pela ABNCo., CMRJ e W&S), as cédulas do Banco do Brasil (impressas pela ABNCo.) e as cédulas da Caixa de Estabilização (impressas pela ABNCo.).


Figura 23 – Detalhe do reverso da cédula de 5$000 réis (1924 - 1950) – 19ª estampa – ABNCo. (162 mm X 74 mm) R100; P.29.  Alegoria da Indústria e do Comércio.


                        Durante este período (1918-1942), as cédulas do Tesouro Nacional constituíam o grosso da circulação, diríamos a principal e as outras foram projetos que não tiveram seguimento (emissões do Banco do Brasil e da Caixa de Estabilização).
                        As cédulas impressas pela CMRJ foram feitas de forma experimental e se destinavam a complementar as cédulas impressas no exterior.
                        Quando da mudança do padrão em 1942, na prática, foram cortados os zeros, eis que os valores continuaram os mesmos, sem os zeros, sendo o sistema apenas simplificado. A aparência das cédulas também foi mantida, anverso em azul.


Bibliografia: 
- Casa da Moeda do Brasil. Cleber Baptista Gonçalves. Rio de Janeiro: Casa da Moeda do Brasil, 2ª edição, 1989.
- Catálogo do papel-moeda do Brasil 1771-1986, emissões oficiais, bancárias e regionais. Violo Ídolo Lissa. Brasília: Editora Gráfica Brasiliense, 3ª edição, 1987.
Catálogo J. Vinicius de Cédulas do Brasil. J. Vinicius 1982.
- Cédulas Brasileiras da República. Emissões do Tesouro Nacional. F. Dos Santos Trigueiros (org.). Rio de Janeiro: Banco do Brasil. 1965.
- Cédulas do Brasil 1833 a 2011. Claudio Patrick Amato, Irlei Soares das Neves, Julio Ernesto Schütz, 5ª edição, 2011.
- Diário Oficial da União, diversos. 
- Editais da Caixa de Amortização, diversos números entre 1918 e 1955.
- Dinheiro no Brasil. F. dos Santos Trigueiros, Leo Cristiano Editorial Ltda., 2ª edição, 1987.
- Iconografia do Meio Circulante, Banco Central do Brasil, 1972.
- Os Bancos Centrais. Augusto F.R. Magalhães, Rio de Janeiro, A Casa do Livro, 1971.
- Standart Catalog of World Paper Money – General Issues (1368-1960), Krause Publications, 12th edition, Iola, 2008.


Autor: Marcio R. Sandoval (sterlingnumismatic@hotmail.com)
Publicado originalmente no Boletim da AFSC (Associação Filatélica e Numismáticade Santa Catarina) n°69 de março de 2015, p.4-22.



ANEXO – Nas paginas seguintes apresentamos algumas comparações entre emissões do Mil-Réis e do Cruzeiro que julgamos interessantes para a complementação do artigo.



 Figura 1Specimen da cédula de 5 mil-réis da 14ª estampa (1913-1950), R095s; P.24, (160 mm74 mm), impressa pela ABNCo. para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é o Barão do Rio Branco. A gravura do medalhão foi realizada por Robert Savage (1868-1943), da ABNCo, s/d. A cor e a estética do reverso da cédula correspondem aos primeiros anos da República, ou seja, estampa em negro sobre fundo policrômico.
  

Figura 2Specimen da cédula de 5 mil-réis da 19ª estampa (1924-1955), R100s; P.29, (162 mm X 74 mm), impressa pela ABNCo. para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é o Barão do Rio Branco. Trata-se do mesmo medalhão e características semelhantes em relação à Figura 1. Diríamos aqui que a cédula foi atualizada com nova roupagem para se adequar a nova família, notadamente com a mudança na cor, ou seja, estampa em azul sobre fundo policrômico.
  

Figura 3Specimen da cédula de 5 cruzeiros 1ª estampa (1943-1967), C017s; P.134, (157 mm X 67 mm), impressa pela ABNCo. para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é o Barão do Rio Branco. Novamente o mesmo medalhão e demais características guardando semelhança com a da Figuras 1 e 2. Diríamos aqui, novamente, que a cédula foi atualizada com uma nova roupagem para se adequar a nova família do Cruzeiro; de 5$000 réis para 5,00 cruzeiros. Foram 54 anos de convívio com esta gravura do Barão do Rio Branco, em quatro estampas. A quarta foi gravada em 1950 pela Thomas de La Rue & Company de Londres, a partir do mesmo retrato, constituindo-se na 2ª estampa da cédula de 5 cruzeiros, que também circulou até 1967. A diferença marcante das cédulas impressas na Inglaterra é que a cor do anverso é marrom.







Figura 4Specimen da cédula de 20 mil-réis da 16ª estampa (1924-1955), R119s; P.48, (180 mm X 83 mm), impressa pela ABNCo. para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é Deodoro da Fonseca.



Figura 5Specimen da cédula de 20 cruzeiros 1ª estampa (1943-1972), C023s; P168b., (157 mm X 67 mm), impressa pela ABNCo. para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é Deodoro da Fonseca. Trata-se do mesmo medalhão e características semelhantes em relação a Figura 4. A mesma atualização que ocorreu nas demais cédulas analisadas.


Figura 6 – Specimen da cédula de 1 conto do réis da 1ª estampa (1923-1955), R202s; P.123 (185 mm X 81 mm), impressa pela ABNCo. para o Banco do Brasil, cujo homenageado é D. Pedro I.


Figura 7 – Specimen da cédula de 200 cruzeiros da 1ª estampa (1943-1973), C038s; P.154a (157 mm X 67 mm), impressa pela ABNCo. para o Tesouro Nacional, cujo homenageado é D. Pedro I. Trata-se do mesmo medalhão e características semelhantes em relação a Figura 6.





[1] Os catálogos agrupam as cédulas por valores para facilitar a localização, no entanto, dificultam outras observações, como, por exemplo, o fato da cédula pertencer a uma “família” de cédulas que apresentam características comuns.
[2] As cédulas do mil-réis impressas pela ABNCo. continuaram a ser emitidas até 1942, com pequenas diferenças no que tange a posição dos elementos de identificação individual (número da cédula, da estampa e da série). A última concepção de estampa da ABNCo., no entanto, foi da cédula de 500 mil-réis de 1931.
[3] Em realidade existiam 62 tipos de cédulas em circulação, conforme nos referimos na matéria intitulada “O Meio Circulante na Mudança da Unidade Monetária (do Mil-Réis para o Cruzeiro em 1942)”, publicado no boletim da AFSC, n° 46, de setembro de 1999, p.17-22.
[4] Oportuno notar que as primeiras cédulas próprias do Cruzeiro lançadas em 1943-44 compunham-se de 10 valores, ou seja, 1, 2, 5, 10 , 20, 50, 100, 200, 500 e 1000 cruzeiros. Todas haviam sido impressas pela ABNCo. e apresentavam o anverso na cor azul com um medalhão central, além de possuírem todas as mesmas dimensões (157 mm X 67 mm).
[5] Estas cédulas não foram incluídas neste estudo por terem sido emitidas antes de 1919. 
[6] Apresentamos na seqüência o valor da cédula, o ano de emissão e desmonetização, a estampa, a empresa impressora, as dimensões, o número da cédula no catálogo brasileiro e internacional.
[7] Número não oficial baseado nas séries. Deste total foram aproveitadas pela Caixa de Estabilização cerca de 700.000 cédulas e pelo próprio Tesouro Nacional cerca de 49.100.000 cédulas para as primeiras emissões do Cruzeiro através da dupla superimpressão e ainda temos cerca de 52.500.000 cédulas perdidas no Atlântico por ocasião do torpedeamento dos navios durante a 2ª Guerra Mundial.
[8] Aqui se trata apenas de uma opinião, ou seja, uma constatação do autor.
[9] Veja a matéria intitulada “Waterlow & Sons impressores de papel-moeda e outros documentos de segurança (1810-1961)”, de nossa autoria, publicado no Boletim da AFSC n° 66, agosto de 2012, p.4-15.
[10] Lei n° 4.635 de 5 de janeiro de 1923. As últimas emissões do banco haviam ocorrido em 1893/94, com a denominação de Banco da República do Brasil, ou o 3° Banco do Brasil para alguns historiadores. O 4° Banco do Brasil nasceu com o decreto n° 1.455 de 30 de setembro de 1905 que vem até os nossos dias.
[11] Oito estampas foram desmonetizadas em 1932.