sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Emissões da Ocupação Militar Aliada após o desembarque na Europa (1943 - 1958) [1]



Fig. 1 – Reverso da cédula de 2 francos (AMC) para a França (P.114b), 1944 (78 x 67 mm). Estas cédulas ficaram conhecidas como “billets drapeau” em função de apresentarem no reverso o pavilhão francês. Foram também chamadas “francos complementares” ou ainda “francos de invasão”.

                                   Os Aliados à medida que foram conquistando os territórios das tropas do Eixo emitiram cédulas de ocupação (Military Currency) que circularam concomitantemente com o numerário existente nos países liberados. Trataremos aqui apenas das cédulas emitidas pelos Aliados denominadas AMC (Allied Military Currency) que circularam na Itália, França, Alemanha e Japão[2].
                                   A emissão destas cédulas ficou a cargo da tesouraria da AMGOT - Allied Military Governement of Occupied Territories [3].
                                   As emissões de ocupação militar (Military Currency  - moeda militar) são, em teoria, emissões de uso exclusivo de tropas militares; elas são preparadas por uma potência militar ou governamental e declaradas de curso legal em determinado território pelo comandante das forças. Sua utilização pode ser estendida ao pessoal civil, o que veio ocorrer com as cédulas analisadas. As emissões de ocupação devem ser distintas, na aparência, da moeda oficial (nacional), mas a unidade monetária, em geral, é a mesma. Esse expediente foi utilizado amplamente durante a 1ª e 2ª Guerra Mundial. É visto por muitos como uma forma de dominação e intromissão nos assuntos internos do país concernente; em geral, essa moeda foi emitida sem lastro e em alguns casos em proveito da autoridade militar que, assim, financiava as despesas realizadas. Essa situação ficou evidenciada na Itália em 1943, quando foi emitida grande quantidade dessa moeda, o que acabou por gerar uma grande inflação. Uma versão mais moderna deste tipo de moeda são os “Military Payment Certificates” (MPC), que foram utilizados na Guerra do Vietnam, liberados em dólares e com circulação exclusiva entre os militares.


Fig.2 – Da esquerda para a direita temos: 1 Lira (P.M10b), 5 francos (P.115a), 5 marcos (P.193a) e 10 centavos (P.63), respectivamente da Itália, França, Alemanha e Japão. Todas apresentam as mesmas dimensões, ou seja, aproximadamente 78 x 67 mm, correspondendo à cédula de 1 dólar americano cortada ao meio.

As emissões na Itália

                                   Com a capitulação das tropas do Eixo na África, os Aliados se preparam para o desembarque em solo europeu, o que ocorreu na Sicília em 9 de julho de 1943. Em agosto de 1943, os Aliados, através de um Decreto assinado pelo General inglês Harold Alexander (Decreto n° 12 de 23 de agosto de 1943), autorizaram a emissão dessas cédulas para a Itália. Os valores desta série (Series 1943) foram: 1 lira (M10), 2 liras (M11), 5 liras (M12), 10 liras (M13), 50 liras (M14), 100 liras (M15), 500 liras (M16) e 1000 liras (M17). As cédulas foram impressas nos Estados Unidos pelo Bureau of Engravingand Printing (BEP) de Washington e postas em circulação no mesmo dia da assinatura do Decreto. Houve uma segunda emissão dessa mesma série, com circulação a partir dia 8 de setembro de 1943, com cédulas impressas pela Forbes Lithograph Manufacturing Company de Boston. As cédulas impressas por esta companhia contêm a marca da empresa impressora, um “F” em micro caracteres (aposto na rosácea do lado inferior direito). A segunda série (Series of 1943A), impressa pela Forbes, apresenta os seguintes valores: 5 liras (M18), 10 liras (M19), 50 liras (M20), 100 liras (M21), 500 liras (M22) e 1000 liras (M23).


Fig.3 – Detalhe do lado inferior direito da cédula de 1 Lira (P.M10a), impressa pela Forbes Lithograph Manufacturing Company de Boston. No destaque temos a letra “F” de Forbes.

                                  As cédulas foram impressas em dois formatos, 78 x 67 mm para os valores de 1 a 10 liras e de 156 x 67 mm para os valores de 50 a 1000 liras. As cédulas da “Series 1943” são expressas somente em inglês. ASeries of 1943 Atrazem o valor expresso, também, em italiano. No anverso das duas séries temos: “Allied Military Currency”, “Issued in Italy”, “1 Lira” (e demais valores) e no reverso temos as seguintes frases: “Freedom of Spech, Freedom of Religion, Freedom from Want e Freedom from fear”, ou seja, “Liberdade de Expressão, Liberdade de Religião, Ausência de Miséria e Liberação do Medo” e no centro “Allied Military Currency”.
                                   No que tange à numeração, as duas séries apresentam as letras AA. Na série 1943A, nos valores 5, 10, 50 e 100 liras, temos também as letras AB. Nesta mesma série, as cédulas de 100 liras apresentam também as letras AC.
                                   Pouco tempo depois de emitida a primeira série (Series 1943) constatou-se que as cédulas eram facilmente falsificáveis, por causa da má qualidade do papel e outros detalhes, como a forma de impressão (litografia). Acrescenta-se, ainda, o fato da escassez de elementos decorativos, possibilitando o acréscimo de zeros, transformando, por exemplo, uma cédula de 1 lira em 10 liras. Por este motivo foi providenciada uma nova emissão, acrescentando-se o valor por extenso, em inglês e italiano. Mas, como pode ser observado, a tal melhora foi medíocre. Devido à inflação, as cédulas de 1 e 2 liras não constam da segunda emissão.
                                   As cédulas impressas pelo Bureau of Engraving and Printing (BEP) de Washington, ou seja, ainda da primeira série, apresentavam filigrana ou marca d’água (pouco visível) com os seguintes dizeres: “Allied Military”, de forma descontínua, elemento de segurança que não foi mantido na segunda série impressa pela Forbes.
                                   Os três primeiros valores (1, 2 e 5 liras) de ambas as emissões apresentam uma cena campestre no anverso e os demais valores apenas motivos geométricos.
                                   Essas cédulas circularam legalmente até 1950, ano em que perderam a validade. Sua circulação foi concomitante com as demais cédulas utilizadas na Itália.
                                   As AMC liras financiaram os gastos das tropas aliadas que, segundo o armistício, ficaram por conta da Itália.
                                   A seguir apresentamos as tabelas contendo a quantidade de cédulas provavelmente emitidas na Itália pelos Aliados, baseada na numeração.

(Series 1943) a (Forbes) b (BEP)
M10
1 lira
a. 44.600.000


b. 37.600.000
M11
2 liras
a. 37.200.000
           

b. 36.600.000
M12
5 liras
a. 42.900.000


b. 24.700.000
10 liras
a. 12.100.000


b. 10.100.000
M14
50 liras
a. 33.700.000


b. 10.100.000
M15
100 liras
a. 23.700.000


b. 14.800.000
M16   
500 liras
a.   1.800.000


b.   6.000.000
M17
1000 liras
a.   1.200.000


b.   3.000.000

Series of 1943A (todas impressas pela Forbes)
a (prefixo/sufixo A-A), b (prefixo/sufixo A-B) e c (prefixo/sufixo A-C)
M18
     5 liras
a.   31.360.000


b.   34.976.000
M19
    10 liras
a.   77.824.000


b.   35.872.000
M20
    50 liras
a.   50.692.000


b.   43.692.000
M21
  100 liras
a.   61.492.000


b. 100.000.000


c.   60.000.000
M22
  500 liras
a.   59.978.000
1000 liras
a.   69.108.000

As emissões na França

                                   O “Dia D” (em inglês “D Day”) designa o 6 de junho de 1944, dia em que tiveram início as manobras Aliadas de desembarque na Normandia. A partir deste acontecimento, foram postos em marcha os serviços de tesouraria da AMGOT, para colocar em circulação cédulas impressas nos Estados Unidos, que tiveram “curso legal” a partir do dia 28 de agosto de 1944. Essas cédulas foram denominadas de “francos complementares” porque serviriam como um “empréstimo” provisório ao Tesouro Francês.
                                   O objetivo desta emissão seria cobrir os gastos do exército Aliado e a “reconstrução da França”. Esse projeto monetário acompanhava um projeto político, que tinha a intenção de instalar uma administração militar (AMGOT) na França, após a liberação.
                                   A AMGOT foi promovida pelo presidente americano Franklin Delano Roosevelt que, até aquele momento (Dia D), não reconhecia o CFLN (Comité français de la Libération nationale), presidido pelo General Charles de Gaulle, como legítimo representante do Governo Francês. Em 26 de maio de 1944, o CFLN se tornou o GPRF (Gouvernement Provisoire de la République Française).
                                    O General Charles de Gaulle fez sua entrada em território francês em 14 de junho de 1944 e restabeleceu a autoridade do Governo Nacional evitando assim que a AMGOT, prevista pelos americanos, fosse posta em funcionamento. O General Charles de Gaule declarou que as cédulas, denominadas comumente "bilhets drapeau"[4], não eram outra coisa que moeda falsa. Mesmo assim, ele recomendou aos bancos que aceitassem as cédulas, mas que não as remetessem em circulação. Em 27 de junho de 1944 foi interditada sua circulação, no entanto, permaneceram em circulação até o final do mês de agosto.
                                   Roosevelt acabou por admitir a legitimidade do GPRF em 23 de outubro de 1944, após o discurso do General Charles de Gaulle, na Prefeitura de Paris, em 25 de agosto daquele mesmo ano.
                                   Os valores colocados em circulação, a partir do desembarque na Normandia, e designados como francos complementares (1ª emissão) foram: 2 francos (P.114), 5 francos (P.115), 10 francos (P.116), 50 francos (P.117), 100 francos (P.118), 500 francos (P.119), 1000 francos (P.120) e 5000 francos (P.121 – não emitido).
                                   Todas essas cédulas apresentavam o pavilhão francês no reverso e foram também chamadas de "francos de invasão", eis que colocadas em circulação pelas tropas Aliadas, quando do desembarque na Normandia. Essas cédulas não foram bem acolhidas pela população.
                                   As cédulas da 2ª emissão, semelhantes às da primeira, também impressas nos Estados Unidos, são denominadas "francos provisórios", eis que havia necessidade de substituir boa parte do meio circulante devido ao período de ocupação (existia grande quantidade de cédulas falsas circulando) e essas cédulas seriam provisoriamente utilizadas para esse fim. A emissão dessas cédulas se deu em 4 de junho de 1945.
                                   As cédulas da 2ª emissão foram autorizadas ainda pelo CFLN (Comité français de la Libération nationale).
                                   Ambas as emissões são tratadas pelos franceses como cédulas do Tesouro. Pensamos, assim, que no caso da França, essas emissões tenham ficado sob a responsabilidade do Tesouro francês e não da Administração Militar Aliada.
                                   Os valores da 2ª emissão foram: 50 francos (P.122), 100 francos (P.123), 500 francos (P.124), 1000 francos (P.125) e 5000 francos (P.126 – não emitida).
                                   A principal diferença desta 2ª emissão é de não apresentar a bandeira francesa no reverso e sim a palavra "France".
                                   As dimensões de ambas as emissões são aproximadamente 78 x 67 mm para os valores de 2, 5 e 10 francos e 156 x 67 mm para os demais valores.
                                   A seguir, apresentamos as tabelas contendo as quantidades de cédulas, baseadas na numeração das duas emissões.

1ª emissão – “francos complementares” ou “francos de invasão”.

114
  2 francos
  200.000.000
115
  5 francos
  160.000.000
116
10  francos
    80.000.000
50 francos
  40.000.000
118
100 francos
144.000.000
119
500 francos
  20.000.000
120
1000 francos
  40.000.000
121
5000 francos
    2.720.000

2ª emissão –francos provisórios

122
50 francos
290.000.000
100 francos
950.000.000
124
500 francos
Specimen[5]
125
1000 francos
250.000.000
126
5000 francos
Specimen


Fig. 4 – Specimen de 5000 francos (P.126), 1944 (156 x 67 mm). Cédula da 2ª emissão – "francos provisionais". Este valor não foi emitido da mesma forma que o da 1ª emissão.

                                   Segundo a "Nota de Informação nº 128" do Banco da França, de fevereiro de 2002, que trata da troca de cédulas e de moedas de franco francês por euros, podemos constatar que as cédulas de 2, 5 e 10 francos de 1944 (tipo complementar), respectivamente P.114, P.115 e P.116, podiam ser trocadas até 01 de janeiro de 2004.
                                   Já as cédulas de 50, 100, 500 e 1000 francos (tipo 1944, americana, com a bandeira no reverso), não podiam ser trocadas, eis que perderam o valor em 15 de junho de 1945.
                                   No que tange às cédulas de 50, 100 e 1000 francos (tipo 1944, americana, com a menção “France” no reverso) podiam ser trocadas até 01 de janeiro de 2004. O banco trazia o valor de câmbio ainda em francos e advertia que estas cédulas podiam ter um valor numismático superior ao valor da troca.

As emissões na Alemanha

                                   Enquanto o General Eisenhower combatia na frente Ocidental, os soviéticos comandados pelo Marechal Jukov (Zhukov) marchavam em direção a Berlim, que foi atingida em 28 de abril de 1945. Com a Alemanha ocupada, procedeu-se a divisão em quatro zonas de ocupação, administradas por autoridades americanas, inglesas, russas e francesas.
                                   Para a Alemanha, os Aliados emitiram 8 valores, quais sejam, ½ marco (P.191), 1 marco (P.192), 5 marcos (P.193), 10 marcos (P.194), 20 marcos (P.195), 50 marcos (P.196), 100 marcos (P.197) e 1000 marcos (P.198), que circularam concomitantemente com as demais cédulas do país, como havia ocorrido na Itália.
                                   As dimensões são aproximadamente 78 x 67 mm para os valores de ½, 1 e 5 marcos; e 112 x 67 mm para a cédula de 10 marcos e os demais valores 156 x 67 mm.
                                   Essas cédulas foram postas em circulação pela primeira vez em 21 de outubro de 1944, na cidade de Aachen[6], sendo esta a primeira grande cidade alemã a ser invadida. Essas cédulas foram impressas nos Estados Unidos pela Forbes Lithograph Manufacturing Company de Boston, antes da ocupação da Alemanha, sob o código “Wild Dog”, ou seja, “cão selvagem”. Após a Conferência de Teerã (novembro a dezembro de 1943), essas cédulas também passaram a ser impressas na União Soviética, pela empresa Gosnak de Moscou que recebeu, em abril de 1944, dos americanos, as chapas e o papel para a impressão.


Fig. 5 – Cédula de 20 marcos (P.195a), 1944 (156 x 67 mm). Impressão americana (Forbes).

                                   Inicialmente, elas foram utilizadas somente pelas forças militares Aliadas.
                                   No anverso consta o nome do emissor em alemão: "Allierte Militärbehörde", ou seja, Autoridade Militar Aliada e também a inscrição "in umlauf gesetzt in deutschland ", ou seja, "posto em circulação na Alemanha".
                                   O "F" em micro caracteres, marca da empresa impressora – Forbes, aparece no canto inferior direito para os valores de ½, 1 e 5 marcos e no  canto superior direito para os demais valores. Os exemplares impressos pelos soviéticos, com os clichês americanos, não apresentam esta marca.
                                   No âmbito das coleções, costumava-se fazer a distinção das zonas em que circularam as cédulas pelas primeiras cifras dos seus números. Assim, “00” corresponderia à zona de ocupação francesa; “0” à zona de ocupação inglesa; “1” à zona de ocupação americana e “–“ (hífen) à zona de ocupação soviética, mesmo não existindo documentos que comprovem esta situação[7]. No que tange ao hífen que denotaria emissão e mesmo impressão soviética, deve-se observar que existem cédulas com hífen (8 dígitos) e com o "F" da Forbes, ou seja, impressão americana, tratando-se de cédulas americanas de reposição.
                                   A União Soviética imprimiu as cédulas começando com altos números de série, chegando a nota 100.000.000 em todos os valores, menos os de ½ e 1000 marcos. Assim, existem cédulas com 9 dígitos emitidas pela Rússia. A diferenciação se faz, mais uma vez, pela ausência da marca da empresa impressora “Forbes” e pelo prefixo “1”. Em 8 de dezembro de 1944, os Estados Unidos proibiram a emissão das cédulas de 1000 marcos. Consta dos registros oficiais que apenas 10 dessas cédulas foram emitidas.
                                   A seguir, apresentamos uma tabela contendo a numeração das cédulas, o impressor e a quantidade emitida. Utilizamos dois catálogos para a elaboração desta tabela, o “World Paper Money – General Issues” e o “Die deutschen Banknoten ab 1871 de Holder Rosenberg. A quantidade de cédulas emitidas vem do site da Moneypedia e não conseguimos ainda determinar sua fonte primária.

Segundo o impressor – USA ou Rússia (numeração e quantidade emitida)

Numeração – Impressor
Emitidas
191 – ½ marco
a. 000000001 à 075448000 USA (9 dig.)
 75.448.000

b. -00000001 à -00470159 USA (8 dig.)
(-) reposição

c.-50000001 à -54 500000 Rússia (8 dig.)
    4.500.000
192 – 1 marco
a.000000001 à 114296000 USA (9 dig.)
114.296.000

b.100000000 à 116600000 Rússia (9 dig.)
  16.600.001

c. -00000001 à -00397639 USA (8 dig.)
(-) reposição

d.-75 000001 à -99 999999 Rússia (8 dig.)
  24.999.999
193 – 5 marcos
a. 000000001 à 075896000 USA (9 dig.)
  75.896.000

b.100000000 à 110400000 Rússia (9 dig.)
  10.400.001

c. -00000001 à -00449695  USA (8 dig.)
(-) reposição

d. -50000001 à -99999999 Rússia (8 dig.)
 49.999.999
194 – 10 marcos
a. 000000001 à 077800000 USA (9 dig.)
 77.800.000

b.100000000 à 111000000 Rússia (9 dig.)
 11.000.001

c. -00000001 à -00071569 USA (8 dig.)
(-) reposição

d. -50000001 à -99999999 Rússia (8 dig.)
 49.999.999
195 – 20 marcos
a. 000000001 à 075544000 USA (9 dig.)
 75.544.000

b.100000000 à 109800000 Rússia (9 dig.)
   9.800.001

c. -00000001 à -00441784 USA (8 dig.)
(-) reposição

d.-50 000001 à -99 999999 Rússia (8 dig.)
 49.999.999
196 – 50 marcos
a. 000000001 à 061120000 USA (9 dig.)
 61.120.000

b.100000000 à 112700000 Rússia (9 dig.)
 12.700.001

c. -00000001 à -00299462 USA (8 dig.)
(-) reposição

d. -40000001 à -99999999 Rússia (8 dig.)
 59.999.999
197 – 100 marcos
a. 000000001 à  048084000 USA (9 dig.)
 48.084.000

b.100000000 à 121000000 Rússia (9 dig.)
 21.000.001

c. -00000001 à -00195093 USA (8 dig.)
(-) reposição

d. -35000001 à -99999999 Rússia (8 dig.)
 64.999.999

e.[8] ? Rússia (8 dig.) letras c,m,o,p ou x
?
198 – 1000 marcos
a.000000001 à 004532000 USA (9 dig.)
4.532.000[9]

b.-25000001 à -31300000 Rússia (9 dig.)
6.300.000

c. -00000001 à -00095069 USA (8 dig.)
(-) reposição

As emissões para o Japão

                                   Após o término da guerra na Europa ainda havia o Japão, última potência do Eixo. Na Conferência de Potsdam (17/07/1945 à 2/08/1945) foi apresentado um ultimato ao Japão para que se rendesse, sendo ele ameaçado de uma rápida e total destruição. O ultimato foi ignorado. A cessação das hostilidades foi efetivada seis dias após o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto de 1945). A assinatura de capitulação do Japão se deu em 2 de setembro de 1945.
                                   Para o Japão e para a Coréia (zona de ocupação americana - sul) foram preparadas duas séries, A e B, nos valores de: 10 (P.62 e 63) e 50 (P.64 e 65) sen, 1 (P.66 e 67), 5 (P.68 e 69), 10 (P.70 e 71), 20 (P.72 e 73), 100 (P.74 e 75) e 1000 (P.76) ienes. As cédulas que trazem no anverso um “A” circularam na Coréia – setor americano (setembro de 1945 a junho de 1946)[10] e as que trazem um “B” circularam no Japão (setembro de 1945 a julho de 1948).
                                   As cédulas com a letra “A” foram de uso exclusivo militar e as com a letra “B” foram utilizadas também pela população.
                                   Para a Coréia e para ilha de Okinawa não foram emitidas cédulas de 1000 ienes que ficaram restritas ao Japão (letra B).
                                   A cédula de 1000 ienes (P.76) foi emitida apenas em 1951. Em Okinawa, que ficou sob administração americana até 1972, estas cédulas circularam até 1958, sendo esta a mais longa duração de utilização de uma moeda militar americana.
                                   Quanto à impressão, boa parte das cédulas foi impressa nos Estados Unidos, por Strecher-Traung de São Francisco (marca da empresa impressora "S", em micro-caracteres, na rosácea do lado esquerdo da cédula) e pelo US Bureau of Engraving and Printing (P.67b). Algumas cédulas de 1, 5 e todas as de 1000 ienes foram impressas no Japão pelo impressor do Ministério das Finanças japonês.
                                   Temos notícias sobre falsificações que teriam ocorrido em São Francisco e, a que tudo indica, com a participação do pessoal da própria empresa impressora, tornando impossível a diferenciação das cédulas verdadeiras das falsas.
                                    As dimensões das cédulas são de aproximadamente 78 x 67 mm para os valores de 10, 50 sen e 1 iene; de 112 x 67 mm para as cédulas de 5 e 10 ienes e de 156 x 65 mm para os demais valores.
                                   A seguir apresentamos as tabelas contendo a quantidade de cédulas emitidas.

Tipo A – Japão e Coréia (uso militar) set.1945 a junho 1946
62
10 sen
93.456.000
64
50 sen
76.688.000
66
1 yen
66.176.000
68
5 yen
29.840.000
70
10 yen
51.880.000
72
20 yen
4.506.000
100 yen
9.144.000

Tipo B – Japão (1945-1948), Okinawa e Ryukyo Islands  (1945-1958)
63
10 sen
 51.856.000
65
50 sen
 43.344.000
67
1 yen
  a.53.984.000


  b.  2.624.000


  c.  7.680.000


  d.  7.680.000
69
5 yen
  a. 27.000.000


  b.   2.000.000
71
10 yen
  60.000.000
73
20 yen
 35.408.000
75
100 yen
 39.042.000
1000 yen
a.1.500.000


b.4.000.000

Peculiaridades das emissões

                                   As cédulas da Ocupação Militar Aliada para Itália são classificadas pelo World Paper Money com a inicial M (para emissões militares), ou seja, de M10 a M20, o que não ocorre para os outros três países analisados, apesar destes também apresentarem outras emissões de caráter militar. As cédulas para a Itália, também, são as únicas que vêm preponderantemente em inglês. A Itália nunca desindexou sua moeda, culminando com a emissão da cédula de 500.000 liras (P.118) em 1997, antes da adoção do euro.
                                   Nas cédulas impressas para a França não aparece o nome do emissor, como nas da Itália "Allied Military Currency", nas da Alemanha "Allierte militärbehörde" ou ainda, nas do Japão "Military Currency".
                                   No reverso das cédulas impressas para o Japão, Ilha de Okinawa, Ilha de Ryukyo e Coréia, temos a inscrição: "Issued Pursuant to Military Proclamation", ou seja, "Emitida nos Termos da Proclamação Militar". O Japão, também, nunca desindexou sua moeda.
                                   Nenhuma destas cédulas apresenta assinatura, como muitas outras de caráter militar.
                                   Uma coleção “completa” destas cédulas, incluindo todas as variantes possíveis, bem como specimens, comportaria aproximadamente 33 cédulas para a Itália, 46 para a França, 39 para a Alemanha e 20 para o Japão.


Fig.6 – Cédula de 10 centavos (P.62), 1946. Usada exclusivamente pelos militares americanos na Coréia e impressa nos Estados Unidos pela empresa Strecher – Traung de São Francisco.

PS: Esta matéria teve origem numa sugestão feita a um colega sobre como organizar uma pequena coleção partindo de cédulas de países diferentes e que guardariam algo em comum e de sentido mais amplo do que apenas suas imagens temáticas. Existem detalhes que podem ter escapado a nossa atenção e mesmo incorreções que nós nos comprometemos a corrigir, visto tratar-se de um assunto incomum e de parca bibliografia.

Bibliografia

- Dictionnaire historique de la France sous l’occupation. Michèle et Jean-Paul Cointet. Paris: Tallandier, 2000.

- Die Deutschen Banknoten ab 1871 – Holger Rosenberg, Gietl Verlag, 2007.

- Mark der Allierten Militärbehörd – Moneypedia (www.moneypedia.de)

- Note d’information nº 128. L’Echange des Billets et des Pièces en Francs Français contre Euro. Banque de France, février 2002.

- Standard Catalog of World Paper Money – General Issues (1368-1960), 12th edition, Edited by George S. Cuhaj, Krause Publications, 2008.

- World War II Allied Military Currency. Raymond S. Toy, Carlton F. Schwan, fourth edition, Ohio, 1974.


Autor: Marcio R. Sandoval (sterlingnumismatic@hotmail.com) – março 2012

Publicado originalmente noBoletim da Associação Filatélica e Numismática de Santa Catarina (AFSC), n° 65de março de 2012.

Anexos:


Folhetos de propaganda atribuídos aos alemães contra os aliados anglo-americanos (cerca de 1944). Na reprodução à esquerda, uma cédula de 5 francos (P.115a), conhecida como “billet drapeau”.
Na reprodução à direita, novamente um “billet drapeau” (P.115a) e algumas afirmações interessantes: “Observe esta cédula, Quem a garante? Ninguém! Nem um Estado, nem um banco, nenhuma assinatura. (...) É um pedaço de papel sobre o qual se contentou em imprimir um valor”. Não falta, neste folheto, um comentário anti-semita “une escroquerie juive”, ou seja, uma “fraude judaica”.



[1] As datas correspondem ao período aproximado em que estas cédulas circularam (em relação aos quatro países considerados), não tendo a pretensão de exatidão.
[2] Foram também emitidas cédulas da Ocupação Militar Aliada para a Áustria e Dinamarca, que não trataremos aqui em virtude de serem de tipos diferentes.
[3] Governo militar de ocupação, constituído de oficiais anglo-americanos que, durante a 2ª Guerra Mundial, tinha como propósito administrar os territórios liberados das tropas do Eixo.
[4] Todas estas cédulas apresentam no reverso a bandeira francesa.
[5] Foram impressas cédulas para circulação, mas não foram emitidas, desconhecemos a quantidade.
[6] Cidade alemã situada na fronteira com a Bélgica e Holanda.
[7] A única classificação existente refere-se à impressão, russa ou americana, conforme a existência ou não da marca do impressor.
[8] Esta variante não consta do “World Paper Money – General Issues”, ela aparece no Catálogo Holder Rosenberg (206e).
[9] Apenas 10 teriam sido emitidas.
[10] Estas cédulas não são mencionadas expressamente no World Paper Money para a Coréia, existe apenas a informação de que foi utilizado o numerário emitido pela Administração Militar Americana para o setor sul. Estas emissões estão catalogadas juntamente com as do Japão.