segunda-feira, 2 de julho de 2012

SOBERANO DE OURO – “1918”


Soberanos de diversas épocas

Até os anos 30 o valor da moeda baseava-se no padrão-ouro e dependia da reserva de ouro de cada país. Depois da Crise de 1929 o padrão-ouro foi sendo abandonado. A Inglaterra abandonou este padrão em 1931, e o soberano (sovereign), uma moeda de ouro de um valor de 1£, foi desmonetizada.
A Royal Mint (Casa da Moeda Britânica), no entanto, continuou a cunhar os soberanos. Durante a 2ª Guerra, o soberano ganhou importância e serviu para financiar grupos de resistência contra os nazistas. Ele permaneceu com o valor reconhecido no comércio internacional bem após a guerra.
José Beraha era membro de uma rica família de judeus sefarditas, nascido em 1907 a Skoplje, na Macedônia. Os soberanos ajudaram a salvar sua vida. Quando os nazistas ocuparam a Yugoslávia em 1941, a maior parte dos membros de sua família foram  deportados ou mortos nos campos de concentração. José Beraha conseguiu escapar pela Albânia de onde passou para a Itália, pagando a passagem com soberanos. Beraha aprendeu italiano e instalou um negócio. No fim da guerra se lançou na exportação, mas foi frustrado pelas regras de câmbio. O soberano inglês era a chave que permitiria a abertura de todas as portas. A moeda tinha um valor comercial na ordem de $20 na época, mas continha efetivamente $ 9 de peso em ouro. Beraha instalou uma pequena oficina de cunho de moedas em Milão e começou a produzir soberanos. As moedas de Beraha, de fato, eram melhores que as da Royal Mint britânica, com 1% a mais de ouro que a original e muito bem feitas.    
Em 1951, Beraha estava milionário. Ele vendeu o negócio ao seu “diretor de produção” e se retirou com a família para a Suíça.
As autoridades britânicas tomaram conhecimento de suas atividades e lançaram, em 1952, um mandato de prisão contra ele e uma demanda de extradição, por contrafação. Beraha, em sua defesa, utilizou um argumento genial: O soberano não tinha curso legal na Inglaterra. Ele não podia ser utilizado para comprar bens ou serviços e não tinha interesse senão para os negociantes em ouro ou para os colecionadores. Na Inglaterra todos os comerciantes se recusavam a serem pagos em soberanos e mesmo o Tesouro Britânico. “Vá vender a um comerciante em numismática” era a resposta. Os juízes suíços recusaram a demanda de extradição e reconheceram que Beraha não podia ser processado como falsário.
O soberano inglês é uma moeda de ouro que apareceu na Inglaterra em torno de 1489 no reinado de Hery VII (1485-1509). Seu valor era de 20 xelins, ou seja, uma libra. Foi cunhado até 1662. Uma ordenança de 1817 criou uma peça de ouro assim denominada, tendo o anverso o busto do Rei George III (1738-1820) e ao reverso São Jorge a cavalo matando um dragão, obra do gravador italiano Benedetto Pistrucci. Esta moeda é ainda cunhada nos dias de hoje.
As moedas de Beraha apresentavam a data de 1918, data inexistente na cunhagem original para a Inglaterra.
Todas as sucursais da Royal Mint tinham a permissão de cunhar soberanos de ouro. Os soberanos  cunhados em Londres não apresentam nenhuma marca da oficina, aqueles que portam as marcas C, I, M, P, S, AS, no montículo acima da data, são respectivamente do Canadá, da Índia, da Austrália e da África do Sul.  

Bibliografia:

- AMANDRY,  Michael. Dictionnaire de Numismatique. Larousse, Paris, 2006.
- HAXBY, J.A. et WILLEY, R.C. – Catalogue des Monnais du Canada. Toronto, The Unitrade Press, 1997.
- INNES, BRIAN. Fakes & Forgeries: the true crime stories of history’s greatest deceptions: the criminals, the scams, and the victims. Reader’s Digest, London, 2006.

Autor: Marcio R. Sandoval (sterlingnumismatic@hotmail.com)

Conheça mais sobre os soberanos no site: Gold Souvereigns