quarta-feira, 17 de novembro de 2010

LATÉCOÈRE – AÉROPOSTALE – AIR FRANCE - II






“Tendo em vista que os especialistas afirmam que nossa idéia é irrealizável, não nos resta que uma coisa a fazer: realiza-la” Pierre Georges Latécoère, setembro de 1918.
Pierre Latécoère foi o criador das “Lignes aériennes Latécoère”, empresa que em 1926 passou a se chamar “Compagnie Génerale Aéropostale” e que finalmente, em 1933, foi absorvida pela recém criada Air France.


Um biplano Salmson que foi utilizado para cumprir a etapa em direção à Espanha (25 de dezembro de 1918). Estes aviões haviam sido utilizados na Guerra (1ª Guerra Mundial), depois foram colocados a disposição, pelo Estado, a Pierre Latécoère que os fez adaptar para utilização comercial, no entanto, eles se revelaram pouco rentáveis. A partir daí passaram ao Bréguet 14.


Um Bréguet 14, com um potência de 300 cv (motor Renault). Estes aviões haviam sido, igualmente, utilizados na Guerra. Pierre Latécoère obteve 15 deles. Eles voavam a 120 Km/h. Sob as asas (veja na foto) foram colocadas duas caixas onde eram alojados os malotes do correio.


No Aeródromo de Montaudran, os Bréguet 14, entregues pela Arma Francesa. Os suportes das metralhadoras não haviam ainda sido desmontados. Atrás, à direita (veja a seta) encontra-se estacionado um Laté 15, que após os ensaios obteve resultados deploráveis: o motor de 270 cv estava sujeito a freqüentes falhas. No fundo, à esquerda, um alinhamento de Laté 17: equipados do mesmo motor que o Bréguet 14, eles haviam o defeito de pousar muito rápido.


A senhora Vanier, primeira passageira da linha Toulouse-Barcelona, em 24 de outubro de 1920.


Laté 14.


3 de maio de 1923, o Capitão Rog tem sua filha nos braços e esta preparado para decolar de Casablanca (Marrocos) como chefe de uma missão de 3 Bréguets 14, pilotados por Delrieu, Cueille e Hamm, cuja missão é fazer o reconhecimento do prolongamento da linha até Dacar.


Rabat (Marrocos), 9 de março de 1919. O piloto Lemaître, em pé, acompanhado de Pierre Latécoère. Após o vôo de reconhecimento da linha França-Marrocos, o serviço postal regular foi aberto em 1° de setembro de 1919. Duas, três, depois quatro viagens por semana antes de se tornar quotidiana em outubro de 1922. A ligação durava trinta e seis horas no verão e sessenta horas no inverno.


Traçado da missão de Rog, reconhecimento da linha Casablanca – Dakar, sobrevoando os enclaves espanhóis da época.


Na rota de Dacar, Cabo July. "Sobre a costa nua, um pequeno forte de um branco sujo. Em volta, nenhuma casa, nenhuma árvore, nem mato" (J. Kessel, Mermoz). Foi necessário uma carta do Marechal Lyautey, trazida por Didier Daurat ao Coronel Bens (comandante da guarnição espanhola) para abrir as portas do forte a equipe francesa.


Após o transporte do correio, se pensava transportar passageiros, com um certo conforto. Desta forma é que foi adaptado o Bréguet 14 "Limusine" e, desde 1924, o Laté 17 que foi o primeiro monoplano com ventilação e aquecimento. Ele levava cinco passageiros.


Reparação de um motor no deserto, o dromedário servindo de plataforma.


O avião de Chevallier em pane no deserto.


Após sete dias em Buenos Aires, Lafay e Vachet partem para o Rio onde aterrizam cinqüenta e seis horas depois, vinte horas a mais do que a viagem de ida, por causa do mau tempo.


Agência da Aeropostale em Buenos Aires, esquina da Diagonal Norte com Florida.


Veículos de entrega da Aéropostale.


A Companhia instala em toda rede sul-americana uma infra-estrutura radioelétrica. Aqui, Natal – RN. A utilização da "T.S.F" permitia a comunicação entre as escalas e o contato através de rádio com os pilotos em vôo.


Um outro eixo de desenvolvimento foi aberto em direção à linha do Chile depois da superação da Cordilheira dos Andes. A travessia da Cordilheira pelos trens era interrompida durante os cinco meses de inverso (da páscoa a outubro).


Aéropostale – Santiago do Chile.


O Laté 28. A cabine de um Laté28 adaptada para oito passageiros.


Primeira grande série de aviões civis: mais de cinqüenta exemplares do Laté 28 foram colocados em serviço na França e na América do Sul.


Em 7 de outubro de 1933, no aeroporto de Bourget teve lugar a fundação da companhia Air France, nascida da fusão de quatro companhias: Air Orient, Air Union, a Cidna e a CGTA (Farman) e da compra da “Compagnie Génerale Aéropostale”. Na presença de muitas personalidades temos um grupo de aviões que portam a marca da Air France, da esquerda para a direita temos, um Laté 28 e dois LéO 213.


O Blériot 5190 "Santos Dumont" avião postal transatlântico de um peso total de 22 toneladas equipado de quatro motores Hispano de 650 cv, podendo transportar 600 kg de correspondências por 3200 km. Este avião fez 38 travessias do Atlântico.
Em 1928, o Governo francês havia comandado três hidroaviões transatlânticos: o Laté 300, o Blériot 5190 e o LéO 47, que tiveram diversos problemas no decorrer dos testes. Em junho de 1933, o Laté 300 "Cruz do Sul" estava pronto. Em três de janeiro de 1934, uma equipe da marinha nacional sob as ordens do Comandante Bonnot, ligaram Saint-Louis (Senegal) a Natal (Rio Grande do Norte) em dezenove horas de vôo e depois prosseguiram até o Rio de Janeiro.


Farman 220 (tipo Centauro), derivado de um avião de bombardeio, equipado de quatro motores Hispano de 600 cv, ele foi colocado em serviço em 1935, no Atlântico Sul.


Guillaumet e Saint-Exupéry a bordo de um Farman "Centauro"


Mapa da linha estabelecida pela Aéropostale.


Trimotor Bréguet 393 T, colocado em serviço em 1935 na linha Buenos Aires – Santiago do Chile. Veja o símbolo da companhia Air France sob a asa.


Comandos Bréguet 393 T
Obs.:O texto foi em grande parte traduzido da obra de Jean-Gérard Fleury “L`Atlantique Sud de L`Aéropostale à Concorde”, Edições Denoël, 1974. As fotos são da obra indicada, que foram tiradas pela tripulação e por amadores sem o acabamento que lhes daria um profissional.
Veja a primeira parte desta matéria.

Marcio R. Sandoval (sterlingnumismatic@hotmail.com)